Roberto Carlos (à esquerda) além de um bom cantor também já emprestou seu talento ao cinema. Em 1982, no filme Star Trek - A Ira de Khan, interpretou Khan (à direita), um vilão espacial.
Megadrivers: Mateus Berg e o seu liquidificador cerebral
As camisas de flanela ainda não viraram esfregões. Pelo menos não com o pessoal da Megadrivers, banda grunge de Porto Alegre que, desde 2004, mantém viva a essência do estilo imortalizado por Nirvana e Mudhoney nos anos 90. Com a formação 'power trio', tendo Matheus Momó na batera, Poly E. no baixo e Mateus Berg na voz e guitarra, a banda já gravou um EP com 4 canções bastante distorcidas em 2006 e, atualmente, batalha a gravação de um disco completo. Enfim, três porto-alegrenses determinados, que se conheceram e deram os primeiros acordes no bairro Jardim Itu na capital gaúcha. Acreditando fielmente no seu estilo e no seu som eles estão aí pra provar que, de acorde dissonante em acorde dissonante, o Grunge Rock 'can't never die'. Confira o bate-papo com o Mateus Berg, da Megadrivers:
Vamos começar pelas coisas domésticas. Como é ter a namorada na banda, ela briga contigo se tu desafina ou erra um acorde?
É legal, pois além de tudo ouvimos música juntos, estamos a maior parte do tempo na mesma sintonia... É bem mais acessível. Rola bronca quando eu começo a avacalhar no estúdio, mas nesse caso é mais uma coisa de colega de banda, a Poly não é muito ditadora. Outra coisa legal é que nunca estou sozinho em festas.
Pra ti o que é mais importante na banda, as letras ou o instrumental?
Acho que é importante o conjunto. Gosto de dizer que eu faço poemas musicados, mas na real é tudo loucura em meu liquidificador cerebral.
Cá entre nós, o grunge existe mesmo ou foi inventado pelos jornalistas?
Acho que existe sim, apesar de não ter certeza, hehehe! O grunge pra mim é barulheira, diversão, algo Punk. As pessoas tendem a dizer que é uma coisa triste. Nada a ver. O termo grunge é bem antigo, em um disco do Johnny Burnette n' the Rock and Roll Trio (dos anos 50) está escrito que o som da guitarra é “grungy” ou seja, sujo. Simplesmente se refere ao som da guitarra! Essa palavra se associou ao som de Seattle, nem preciso dizer o motivo... Agora, é inegável que a mídia inventa muitas lendas sobre isso tudo.
Como é ser grunge no Rio Mod do Sul?
Não vejo sinceridade nessa modinha mod. Mas não quero ofender ninguém! Tem gente pra caramba por aqui que se identifica com o grunge. O problema é que toda a cena rockeira daqui está sendo derrubada faz alguns anos.Tudo pela burrice de políticos que querem tornar Porto Alegre uma cidade morta, não incentivando e até mesmo fechando casas de shows, apostando em uma falsa política de combate às drogas e distúrbios. Só não lembram que fazendo isso, acabam por travar a liberdade de expressão e estagnar a cultura. E essa estagnação é pra todo rock daqui não só o grunge. Não é sincero dizer que se vive numa cidade rockeira se não se tem casas para concertos de rock, apenas lugares de MODa com festinhas sem graça e sem energia alguma.
Quais os ídolos da Megadrivers?
Por mim, posso falar em gente como Alice Cohen, Kurt Cobain, Maurits C. Escher, Jackson Pollock, Charles Bukowski, Leon Tolstoi. É difícil falar sobre isso, todos nós somos envolvidos com as mais diversas artes, e pra mim é injusto listar. Mas enfim, apesar de talvez responderem de forma diferente da minha, acho que o Momó e a Poly devem pensar de forma semelhante à minha nesse quesito.
Como tá o esquema pra gravar o cd, já tem nome, músicas definidas, etc?
Nós estamos no momento correndo atrás dos subsídios para gravar o álbum. Já temos as músicas e a arte do encarte. O nome está definido e será uma música que puxará o título, mas ainda não vou revelar pra vocês qual é. Ainda não! Estamos também planejando um intercâmbio com nossos amigos da banda MONAURAL, de São Paulo, um projeto que proporcionará uma tour em conjunto por diversas cidades do Brasil. Convido o pessoal também pra conferir o novo visual do nosso http://www.myspace.com/megadrivers e se manter ligado por lá para as prévias do novo disco e datas de concertos.
E os shows, o que tem rolado?
Agora dia 9 de maio tem um inusitado encontro da MEGADRIVERS com os vampirescos DAMN LASER VAMPIRES no MUTANTES BAR em Porto Alegre, ao que tudo promete ser uma noite bombástica! Depois, se tudo seguir o cronograma, vamos concluir o disco e cumprir datas no interior, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e um pulo à Recife e João Pessoa no final do ano. Espero que todos vocês apareçam!
Eu já publiquei aqui uma entrevista com a Damn Laser Vampires e não é necessário falar sobre o meu amor por eles. Hoje me caiu o queixo, citaram a Beckandroll numa entrevista como sendo uma das bandas a serem ouvidas urgentemente. Morri.
Tem outras bandas tão diferentes assim no Rio Grande do Sul? Fora o óbvio que tem circulado por ai, que outras novas bandas do estado vocês acham legais e que deveriamos estar ouvindo?
Reverba Trio (grupo instrumental com influências de Dick Dale e afins), Hellbelicos (fazem um psycho-punk de viking muito divertido), Chiclé Demência (electrorock excelente com influência de Kills, New Order, Joy Division e Primal Scream), Loomer (garage shoegaze muito bem feito), Mess (Maria Elvira e os Suprassumos do Swing, formada por integrantes de algumas das melhores bandas gaúchas, como Planondas e Sonicvolt), Blush (electro inspirado em Marylin Manson, Madonna e europop), Lautmusik (shoegaze atmosférico intenso, com um parentesco entre Cure, Siouxsie e Cocteau Twins), Transmission (garage shoegaze 90, bonito e melancólico), Tom Enola (muito divertida, ótimas letras, influências de B52’s e Devo), Supergatas (punk hard rock que faz referência ao punk 77 e ao NY Dolls), Beckandroll (rock n’ roll puro, guitarras bem marcantes), Músicas Intermináveis Para Viagem (duo instrumental super climático, excelentes arranjos), Bandinha Di Dá Dó (banda de palhaços, tem um show muito empolgante com acordeon e performances circenses), The Nobs (bem 70, referências a Led Zeppelin e T-Rex), Yesomar e Carbura (ambas grandes bandas de stoner rock). Outra que nós adoramos é Bodji & os Pegando Fogo (letras impagáveis, baladas geniais). Procurem urgentemente por essas bandas.
Não é à toa que Alan Moore não aceita ser creditado nos filmes!
Fui ver a adaptação de Watchmen, a obra prima de Alan Moore e David Gibbons, única graphic novel a constar na lista da revista Time das 100 obras literárias mais importantes em língua inglesa.
Bom, já fui não esperando muita coisa, no entanto é um bom filme. Evidentemente, não há comparação em termos de profundidade com os quadrinhos, muitas coisas faltaram ou foram modificadas, talvez pra atender o público pipoquento dos cinemas.
Vou listar alguns, apenas alguns, dos pontos que me deixaram frustrado:
alguns pontos negativos.
- não foi Dreiberg que alertou Veidt sobre o eventual matador de máscaras e sim Rorshach.
- Diário de Rorschach 16/10/1985: rua 42: seios nus se esparramam de todos os outdoors, de todos os cartazes, emporcalhando a calçada. me ofereceram amor francês e sueco mas não americano. amor americano, como coca em garrafas de vidro verde não se faz mais. este trecho foi suprimido, em minha opinião ele é importantíssimo por mostrar qual a sensação que Rorschach tem em relação à sociedade atual.
- ignora-se pura e simplesmente a 'história em quadrinhos dentro da história em quadrinhos' que é extremamente poética por se relacionar diretamente com os fatos narrados na história, funcionando como um espelho da trama.
- o Comediante matar o Kennedy foi pra desmoralizar o filme completamente.
- Janey Slater pintar no estúdio onde Dr. Manhattan estava dando a entrevista foi cretino.
- Dr. Manhanttan teleportou os jornalistas pra fora do estúdio (ao contrário do que acontece no filme), o que dá uma sensação de vazio; no outro quadrinho Laurie diz que se sente vazia quando a adrenalina baixa (ela e Dreiberg haviam acabado de espancar os marginais).
- Dr. Manhanttan vai direto da entrevista pra marte, o que prejudica o entedimento da história, pois na hq ele passa antes em seu apartamento que já está sendo colocado em quarentena e vai buscar a foto com Slater no bar onde ela pagou uma cerveja a ele antes do acidente.
- violência desproporcional nas cenas do atentado a Veidt, no assassinato do sequestrador da guriazinha por Rorschach (na verdade ele algema o pobre diabo e toca fogo na casa, fica assistindo, fecha os olhos como kovacs e os abre como rorschach, ou seja, cena importante pra enterdermos melhor a alma do personagem), no espancamento dos marginais por Dreiberg e Laurie e na cena onde o marginal Figura tenta assasinar Rorschach na cadeia.
- o final totalmente modificado.
Pra quem nunca leu a hq acredito que seja um ótimo filme, agora, pra quem é um antigo admirador da obra genial de Moore e Gibbons, aí é outra história.
E o show da Beckandroll em Eldorado do Sul no Botechno Rock Bar foi um sucesso! Bom, digamos que aconteceram alguns probleminhas, mas nos divertimos pra caralho, tomamos um grande trago e no final todos ficaram loucos e felizes.
Chegamos no bar por volta das 19 horas, mas tocamos depois das 22 horas. Três bandas, sendo uma do dono do bar, tocaram antes de nós.
Como era uma formação alternativa da banda, baterista e baixista substitutos, tocamos alguns covers, pois não tivemos tempo hábil para que os caras tirassem todas as músicas da banda.
Abrimos com uma pequena introdução de Orgasmatron, mais ou menos uns 30 segundos e paramos, ao que o baixista gritou 1, 2, 3, 4 e mandamos Commando, cover de Ramones.
Durante a apresentação, alguns problemas na guitarra, o som sumia, e eu tinha que me desdobrar em muitos: consertar a guitarra, tocar e cantar.
Antes de tocarmos Die Die My Darling dos Misfits imitei o Silvio Santos anunciando um 'conjunto americano muito bom'. A galera riu da bobagem.
Depois, sabe-se lá porque, pedi para o batera fazer uma batida de funk e lasquei: 'eu só queeeeeeeero é ser feliz/andá tranquilamente na favela onde eu naisci/e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar'
Pura diversão!
Em Uma Mulher Bipolar chamei pro palco o Gil, nosso amigo que estava lá, para cantá-la comigo. Bizarro, além da guitarra ter morrido de vez durante toda essa música que foi tocada somente com baixo e bateria em 90% do tempo.
Pra finalizar mais cover, Pet Sematary. E fim de show.
Músicas da noite:
1)Orgasmatron (intro)
2)Commando (Ramones)
3) Teclas e bolor
4) Rádio mental
5) Havana affair (Ramones)
6) Canções que não escrevi
7) Minha morte
8) Die die my darling (Misfits)
9) Uma mulher bipolar
10) Pet Sematary (Ramones)
* entre uma e outra dessas teve o tal funk que cantei, mas eu tava bebão e não lembro em que momento foi!